Novela Avibras: Novo Capítulo Revela Engenharia Financeira e Troca Inesperada no Comando
A complexa trama envolvendo a reestruturação de uma das maiores empresas de defesa do Brasil ganhou novos e decisivos contornos nesta semana. Em mais um capítulo da série "Novela Avibras", documentos da 3ª Alteração do Contrato Social da Avibras AeroCo Indústria Aeroespacial Ltda., firmado em 1o de abril e que o BS teve acesso em 23/04, revelam uma profunda reorganização societária e uma mudança na liderança que pegou o mercado de surpresa.
A Blindagem da "Joia da Coroa": AeroCo como UPI
O novo contrato social formaliza a saída da Avibras Indústria Aeroespacial S.A. (atualmente em Recuperação Judicial) do quadro societário da AeroCo. A totalidade das quotas — representadas pelo expressivo capital de R$ 2.582.284.000,00 — foi transferida para a Nova AVB S/A.
Essa movimentação não é apenas contábil, mas uma manobra jurídica estratégica. Ao consolidar a AeroCo como uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), sob a égide do Artigo 60 da Lei nº 11.101/2005, a empresa cria uma blindagem essencial. Na prática, a Nova AVB e a AeroCo não herdam os passivos tributários, trabalhistas ou ambientais da "matriz" acumulados antes da alienação. Esse "saneamento" é o que permite à empresa buscar novos investimentos e manter contratos operacionais sem o risco de contágio pelas dívidas que levaram ao processo de recuperação judicial.
Vale recordar que essa estratégia não é inédita. Ainda sob a gestão de João Brasil Carvalho Leite, ex-CEO e acionista majoritário da antiga Avibras, a manobra já havia sido articulada. O movimento foi detalhado pelo Brazilian Space na reportagem 'Mais um capítulo da novela “Avibras”: Empresa convoca acionistas para assembleia para incorporação por “empresa de papel”', publicada em 14 de maio de 2024.
A Surpresa no Comando: Thiago Cavassutti assume como CEO
Se a engenharia financeira era esperada dentro do Plano de Recuperação homologado, a escolha do novo CEO causa estranheza nos corredores do setor. Com o recente acordo junto ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a consequente retomada das atividades após o fim da greve, a expectativa era o retorno de Sami Hassuani.
Hassuani, figura histórica e ex-CEO da companhia, era visto como o nome natural para liderar a reconstrução institucional e operacional. No entanto, o documento confirma a destituição de Fábio Guimarães Leite e a nomeação de Thiago Luiz Cavassutti de Oliveira para o cargo de administrador e principal executivo.
Quem é o Novo Homem Forte da Avibras?
Diferente do perfil técnico e voltado ao setor aeroespacial, Thiago Luiz Cavassutti de Oliveira traz um DNA estritamente financeiro e de gestão de crises. Administrador de empresas com vasta experiência em São Paulo, Oliveira é conhecido por sua atuação como Diretor de Finanças (CFO) e de Relações com Investidores, tendo passado por empresas como a ATMA Participações.
Seu histórico é marcado pela liderança em reestruturações complexas e atuação direta em processos de recuperação judicial. O perfil do novo CEO sugere que a prioridade imediata da "Nova Avibras" não será apenas o desenvolvimento tecnológico, mas a estabilização financeira rigorosa e a mediação de conflitos jurídicos e trabalhistas — áreas onde seu nome é recorrente em virtude de sua atuação em contenciosos corporativos.
O Que Esperar?
A expectativa de um perfil "de mercado aeroespacial" (Hassuani) assumindo a liderança da Avibras em contraste com a assunção de um "especialista em turnarounds financeiros" (Cavassutti) indica que a fase de saneamento da Avibras será mais longa, profunda e focada em métricas de eficiência do que se previa inicialmente.
Este capítulo da Novela Avibras mostra que, embora as operações fabris estejam tentando voltar à normalidade, a verdadeira batalha está sendo travada nos balanços e nas juntas comerciais. A AeroCo agora é uma entidade isolada e pronta para operar, mas sob uma batuta estritamente financeira.
Por outro lado, a manobra que blinda o "filé mignon" da massa em recuperação judicial na Nova AVB S/A e deixa todo o passivo ("o osso") da empresa na velha Avibras Indústria Aeroespacial S.A. Isso tem implicações positivas para retomadas das atividades operacionais, mas pode deixar os credores presos em uma massa falida que pode postergar, por um longo e tortuoso caminho, a quitação dos seus débitos.
Fique atento ao nosso canal e às nossas playlists para os próximos desdobramentos desta saga que define o futuro da base industrial de defesa do Brasil.
Brazilian Space
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